Rosh HaShaná – adaptação de escritos de Rav P.S.Berg

Primeiramente devemos entender o que são as festividades de um modo geral.

O Rabino Shimon Bar Yochai, em suas sagradas palavras reveladas no Zohar há 2.000 anos, nos explica que um determinado evento histórico que ocorreu em uma data específica, foi meramente resultado de uma influência cósmica e espiritual que causou a ocorrência desse evento naquela data em particular.

Uma festividade é um dia cósmico, quando um certo poder do Divino foi revelado na Terra, trazendo aquela energia específica e fazendo acontecer um determinado resultado.

Esse entendimento cria uma percepção diferente e muda completamente a razão pela qual comemoramos esses eventos: comemorar não é apenas relembrar o que aconteceu no passado, mas se conectar a este mesmo poder positivo no presente para ser bem utilizado em nossas vidas.

Rosh HaShaná, o primeiro dia do ano hebraico, é também chamado de dia de Julgamento.

Rabi Shimon explica, assim como é declarado no Talmud, que neste dia todo ser humano vivo, sem qualquer discriminação de raça, sexo ou fé, é julgado.

É um dia cósmico e universal que deveria ser reconhecido por todos devido a sua importância e efeito em nossas vidas, já que determina todas as questões de vida e morte na Terra.

Rosh HaShaná é também o primeiro dia do mês hebraico de Tishrei, cujo signo correspondente é Libra.

O símbolo do signo de Libra é a balança, que representa a sabedoria divina e a ordem, e é quando todas as nossas ações e os efeitos de nosso comportamento são postos na “Balança Cósmica”, e colocados à frente da “Corte Suprema”.

E quem pode ser o “Juiz Supremo?”
Pode ser que a nossa própria consciência coletiva seja despertada neste dia para decidir nosso futuro e a natureza de nossa vida durante o próximo ano!

Quanto mais abrirmos nossas mentes, maior o efeito espiritual de tolerância, amizade e fraternidade que poderemos criar ao nosso redor.

As palavras Rosh HaShaná em hebraico literalmente significam: “Cabeça do Ano”.

Por que “Cabeça”?

Porque a Cabeça está sempre relacionada com a “semente da consciência”, ou o poder potencial do que será revelado no
futuro.

É o início de um novo ciclo de vida que, com a ajuda de D´us, nossa colaboração e nossa consciência, será repleto de saúde, prosperidade e continuidade.

E aqui repousa o segredo de controlar nosso destino e a habilidade de mudar o futuro, se necessário.

Portanto, durante a festa de Rosh HaShaná, o que realmente estamos fazendo, é que estamos plantando uma semente espiritual, e possivelmente cuidaremos de seus frutos ao longo do próximo ano.

Mas, por outro lado, como citado acima, é também um dia de Julgamento; um dia no qual todo mundo, toda a humanidade é julgada, sem distinção de raça, cor, religião, idade ou sexo! Mas, quem é o Juiz? É D’us?

Não! Definitivamente não!

Porque de acordo com a Cabala, a essência de D’us é amor incondicional infinito e misericórdia.

E então, quem vai nos julgar, e como?
A resposta para esta questão está no princípio da lei cósmica de causa e efeito (ou Karma).
São nossas próprias ações pessoais que deverão aparecer de novo em Rosh HaShaná, na medida em que começamos um novo ciclo de vida e um novo ano.
Este é o motivo porque muitas pessoas sofrem de sentimento de culpa.
Este sentimento de culpa é provocado pelas ondas ou vibrações cósmicas negativas que estas pessoas causaram.

E agora essas vibrações retornam para “perseguí-las”.
O primeiro dia de Rosh HaShaná é um dia de Julgamento duro, quando somos julgados pelas ações perversas que fizemos com cruel e má intenção para ferir outra(s) pessoa(s).
No segundo dia somos julgados pelas ações perversas que fizemos sem intenção.

O que geralmente chamamos de erro.
Em Rosh HaShaná todo e cada ser humano vivo recebe três coisas: vida, prosperidade e filhos.

É claro, esses três “itens” são considerados como os mais importantes objetivos na vida.

Todos querem continuar vivendo,
ter sucesso financeiro e ser capaz de criar e apreciar uma família saudável e feliz.
Mas existe um pequeno problema que sempre aparece nessas ocasiões: nosso rival na vida – Satã(Ego).
O Zohar explica que conforme vamos ficando prontos para recarregar nossa bateria vital novamente, com a energia da vida para outro ano, nosso oponente (Satã) definitivamente aparecerá com o objetivo de tentar roubar de nós esse privilégio!
Por isso os grandes sábios nos revelaram a arma espiritual com a qual podemos evitar e destruir a negatividade de nossas vidas e de todo o mundo ao redor.

Essa arma chama-se Shofar – o chifre do carneiro.
O som do Shofar tem uma vibração especial que pode destruir todos os obstáculos e estagnação energética que possam ter penetrado nossas vidas, almas e corpos durante o ano que passou.
Mas, é claro, é o nosso próprio estado de espírito e meditação que determinarão se essas vibrações, que são como “raios energéticos”, deverão ou não atingir seus objetivos.
Esses objetivos são nossas próprias ações negativas que desempenhamos enquanto vivemos nossa vida na terra.

E como já vimos, as vibrações negativas dessas ações aparecem em Rosh HaShaná.
Portanto, durante o sopro do Shofar é bastante recomendável relembrar nossas ações negativas, em nossa mente, de modo a usar as vibrações cósmicas desse som especial para transformar nossas faltas em méritos.

A Torá nos diz: “E Hashem falou a Moisés dizendo: Fale com os Filhos de Israel, dizendo: No sétimo mês, no primeiro (dia) do mês, deve ser o dia de descanso para vocês, em memória do sopro (do Shofar)…” (Lev. 23:23).
Conforme vemos, a celebração de Rosh HaShaná e o sopro do Shofar foram determinados para acontecer no primeiro dia do sétimo mês.

Isso é bastante estranho; por que devemos começar a contar o ano a partir do sétimo mês e não do primeiro?
De acordo com a Cabala, cada ano, ou cada 12 ciclos da lua têm quatro inícios.

Cada início representa um nível de consciência diferente.
É como num ser humano que tem, por exemplo, o nível intelectual da consciência, o nível racional, o emocional, o subconsciente, etc., e todos eles juntos criam a inteligência do ser humano.

Por isso o ano também tem diferentes níveis de consciência.
E do ponto de vista da Astrologia Cabalística, Rosh HaShaná está colocado no primeiro do ciclo da lua relacionado ao signo de Libra (a balança).

Esse fato astrológico explica o nível de consciência que está
se iniciando neste dia.
O signo de Libra representa harmonia e justiça.

Esse é o motivo pelo qual a inteligência interna da natureza volta ao seu estado embrionário de harmonia completa – como um bebê no útero de sua mãe.

E para atingir este objetivo, a natureza usa seu poder de Justiça e Julgamento, se necessário.
E aqui reside o segredo do porque somos todos julgados neste dia – porque a natureza quer se renovar e suprir todos os seres por ela criados com vida nova e pureza.
Então vamos aproveitar esses poucos dias que ainda temos antes de Rosh HaShaná, com o objetivo de nos prepararmos espiritualmente e participarmos na restauração dos poderes da vida para o ano que, em breve, se inicia.
Em 2013, Rosh HaShaná (novo ano de 5774) terá inicio ao entardecer do dia 04 de setembro e Yom Kippur ao entardecer do dia 13 de setembro.”