O Mahashivaratri, ou Grande Festival de Shiva

O Mahashivaratri, ou Grande Festival de Shiva, ocorre, em 2021, no dia 11 de março. É um dos festivais mais concorridos não só em Prashanti Nilayam como em toda a Índia, pelo seu significado transformador. 
Mahashivaratri é um termo sânscrito, composto dos vocábulos Maha + Shiva +RatriMaha: grande, importante; Shiva: na Trindade Hindu, é aquele que transforma; Ratri: noite escura.
Na Índia, onde os devotos de Shiva são inúmeros, costuma-se observar, todos os meses, o Shivaratri, dia dedicado a Shiva, na décima quarta noite da lua, ou seja, o último dia da lua minguante. Essa devoção inclui jejum e cânticos devocionais.
O Mahashivaratri é um grande Shivaratri. Grande porque nesse período do ano, que se situa entre fevereiro e março, o poder exercido pela lua (chamada lua negra), no último dia da minguante, é menor, em relação ao resto do ano. Daí a grande celebração.

É engano pensar que Shiva, por caracterizar, na Trindade Hindu, o aspecto destruidor, seja um deus negativo inclemente, vingativo, sem compaixão. Shiva é o aspecto transformador de Deus. Ele destrói apenas aquilo que precisa ser transformado, transcendido, transmutado. Ele destrói para renovar. 
Por outro lado, é Ele quem elimina os pesados efeitos do karma, é Ele que tem o poder de cancelar nossos instintos arcaicos, animalescos, conservadores, purificando os pensamentos da nossa mente e impulsionando todo nosso ser em direção à Luz. É Ele que, com Seu imenso poder, destrói a ignorância do homem, extraindo o veneno do ego, para que se torne pacífico e dócil à Vontade Divina.
Shiva simboliza também a disciplina, por meio da qual podemos atingir a libertação (moksha) do ciclo de nascimento e morte.

Shiva também é conhecido como Shambho, Mahadeva, Shankara, Mahayogi, Mahakala, entre outros nomes. 
No Rig Veda Ele é denominado Rudra, termo que designa Agni, o Deus do fogo, aquele que tem o poder de queimar e destruir as paixões humanas e os sentidos físicos que atuam como empecilhos às percepções espirituais mais altas e sutis do Eu Superior. Rudra surge da combinação de Rude (em sânscrito, pecado) e Dravayati (que significa lavar). Assim, o processo de lavar nossos pecados chama-se Rudra. 

Quando representado na forma de dançarino, Ele é denominado Nataraja ou Shiva Nataraja, o Rei dos Dançarinos. 
Sua divina dança chama-se Tandava. Simboliza a manifestação do ritmo cósmico, a personificação do movimento do universo.
Enquanto dança, Ele dissolve todos os grilhões do ego que mantêm a prisão do Ser e promove a libertação.

“Shivaratri é observado a cada mês, na décima quarta noite da metade escura (da lua), porque a lua, que é a deidade regente da mente humana, tem somente mais uma noite para ser uma não-entidade, com nenhuma influência sobre as agitações da mente. No mês de Magha (entre fevereiro e março no calendário hindu) a décima quarta noite é chamada Maha Shivaratri (maha, grande). Ela é sagrada porque é o dia em que Shiva (Deus) toma a forma de Lingam, para benefício dos devotos. (…) Nessa noite, pratiquem contemplação sobre o Atma Linga, que é o Jyoti Linga, isto é, o símbolo da Suprema Luz da Sabedoria, e se convençam de que Shiva está no íntimo de cada um de vocês. Que tal visão ilumine a Consciência Interna de cada um. O ritual externo é recomendado para tornar explícita esta mensagem.” (Sai Baba).